Quer um designer para chamar de seu?
Lorenzo Andreola, Designer
Mas afinal...
Você ainda precisa de um designer?
Já faz um tempo que os designers sentem calafrios com a chegada de cada nova melhor IA generativa da semana. “Não tem mais jeito, acabou, boa sorte”. Esse trecho é de uma música da Vanessa da Mata, e que virou um bordão dentro de uma das comunidades de design que participo. Embora sirva como uma ironia ante à catástrofe iminente da profissão, todos esses designers seguem com suas agendas frequentemente lotadas e ainda por cima maravilhados, com relatos múltiplos de coisas com a qual a IA facilitou seus trabalhos. Bem vinda IA, gostamos!
Meu objetivo aqui não é fazer reserva de mercado. Tenho longa vivência atuando como designer e empreendedor. Não estou preocupado se a IA vai roubar o meu trabalho, ela não vai. Talvez os designers mais dependentes das mesmas ferramentas sofram e não consigam boas posições no mercado. Porque vamos aos fatos: sim, já dá pra você se virar muito bem sem um designer.
As considerações a serem feitas, na minha opinião, são essas:
• Se o prompt for genérico, a imagem vai ficar pasteurizada. E isso agora pode até ser “ok”, mas em pouco tempo acredito que pode ser até prejudicial ao negócio. Ter uma personalidade proprietária é um grande diferencial de posicionamento.
• Para projetos mais elaborados, exige-se mais tempo de execução. Existe um certo mito que a IA dá mais velocidade ao projeto. Sim, ela dá, mas não em tempo necessariamente, e sim em performance, então: planeje-se e ponha a mão na massa.
• Senso crítico: para melhores prompts, exige-se maior esforço criativo, habilidade de conexão entre referências e uso do seu repertório disponível.
• Conhecimento sobre técnicas, história da arte e fundamentos de design e criatividade são desejáveis para resultados mais personalizados.
Design serve para dar coesão visual à sua marca. É a forma como ela se comunica com seu público, com decisões intencionais com base no contexto, estratégia e comportamento. Muitos empresários, classicamente, negligenciam essas questões ou não consideram o design importante. Alguns negócios até dependem muito pouco disso, é verdade. Para esses, a resposta à esse texto é simples: não, você não precisa mais de um designer.
Existem outros casos. Para empresas iniciantes que realmente não tem capital para investir em design, acho que também a IA lhes atende muito bem.
Ou para aquelas empresas que querem fazer por conta, seja por esforço de um de seus líderes ou algum profissional de outras áreas: ok também.
Agora, para marcas que pretendem ter sua própria personalidade, estrutura, coerência, padrão e memorabilidade: essas ainda irão necessitar de um designer. Há quem diga que é apenas questão de tempo até que as limitações que citei até agora sejam superadas pelas IAs. Pode ser também, enquanto isso não acontece, aguardo ansioso.
Até porque, entre padrões de comportamentos e ciclos cada vez mais acelerados, já se enxerga no ar vários movimentos acenando para o resgate humano, inclusive na arte, na escrita, na música, na publicidade e no design. Para os que aceitarão todas as generalidades que abundam nas redes, desejo sucesso. É o mundo atual e tem espaço para todos.
Para os demais, sim, provavelmente você ou sua marca ainda vão precisar de um designer.
Voltando ao bordão que citei no início: “Não tem mais jeito?” Tem sim. “Acabou?". Tá só começando. De qualquer forma, para todos nós: boa sorte!
Design sob Demanda
Hoje, crescem os modelos de atuação executiva “On Demand”, nos quais empresas podem contar com experiências estratégicas e vivências consolidadas para enfrentar suas principais dores e acelerar processos de transformação sem os altos custos de uma contratação fixa ou a necessidade de dedicação exclusiva.
O mesmo pode ser dito da área criativa. Muitas vezes, os serviços de uma agência são caros ou burocráticos demais. Por outro lado, a contratação de freelancers sem a experiência necessária pode não atender às exigências de projetos que demandam repertório, sensibilidade e senso crítico.
É nesse contexto que surge o Design sob Demanda: a possibilidade de contar com um profissional experiente para resolver com consistência, sem inchar o quadro efetivo e com uma remuneração compatível ao cenário apresentado.
Não se trata apenas de executar peças, mas de operar o sistema de marca com entendimento estratégico, garantindo coerência, velocidade e qualidade.
Um designer experiente, integrado à rotina da empresa, capaz de resolver demandas recorrentes com autonomia sem a estrutura pesada de uma agência ou a limitação operacional de um freelancer eventual.
O sistema de marca já existe. O que muitas vezes falta é quem o opere com consistência.
Na foto: NOVELIS, criação de selo e brinde comemorativo.
Operação de sistemas de marcas
Marcas são sustentadas por sistemas, geridos pelo seu branding. Não apenas por um logotipo, mas por um conjunto estruturado de diretrizes visuais, semânticas e estratégicas que orientam todas as aplicações, geralmente consolidadas em um Brandbook.
É a partir dele que o design dá forma às diversas necessidades de comunicação dentro de uma companhia, gerando valor na percepção do seu produto ou serviço.
Um sistema de marca existe para isso: dar unidade e repetição com intencionalidade, seja em apresentações, campanhas, relatórios, embalagens, eventos ou na comunicação institucional do dia a dia.
Na foto: O BOTICÁRIO, criação de jogo para treinamento.
Sistemas não se mantêm sozinhos.
Eles precisam ser operados com critério e repertório.
Como funciona?
No mercado de design, existe a mítica figura da "peça". Pode ser algo simples como um post ou um banner, mas pode também ser uma embalagem ou um livro, depende do ponto de vista 😅
Porém, mais que criar "peças", se trata de operar o seu brandbook com consistência e senso crítico.
Na prática:
• Seguir as diretrizes do brandbook e explorar seus potenciais. A criatividade entra dentro do sistema, não contra ele.
• Criar com velocidade sem perda de qualidade. Menos retrabalho, menos ruído, mais decisão bem executada.
• Manter uma rotina institucional bem resolvida. Apresentações, PDFs, comunicações internas, materiais corporativos… o básico feito do jeito certo, sempre.
• Repertório pra lidar com exceções. Porque a vida real muitas vezes não cabe no manual (e é aí que muita marca escorrega).
• Integração com o seu time. Eu não chego como “fornecedor distante”. Chego pra funcionar junto: alinhando contexto, entendendo fluxo, resolvendo.
• IA como ferramenta, não como muleta. Uso pra acelerar processo e ampliar possibilidades, sem cair no genérico e sem sacrificar identidade.
Seu sistema já existe? Eu ajudo ele a funcionar no mundo real.
Na foto: IBEMA, embalagens para portfólio de produtos.
E a I.A.?
A inteligência artificial já faz parte do processo criativo contemporâneo.
Ela acelera brainstormings, organização, geração de imagens e vídeos e etc.
Mas, quando falamos de design institucional, onde fidelidade ao brandbook, coerência visual e diferenciação são essenciais, a IA ainda exige curadoria, repertório e senso crítico.
Criamos a partir de sistemas de marca, sejam eles complexos, como em grandes companhias, ou mais simples, em empresas em fase de estruturação. Nesse contexto, a IA é ferramenta.
A estratégia continua sendo humana.
Na foto: GONEW, ilustração em IA para capa de livro.
Gonew Books
Também sou sócio da Gonew Books, o braço editorial da Gonew Community. Já são mais de 20 título coletivos, além de projetos autorais em andamento.
Esses são apenas alguns projetos de clientes criados em mais de 20 anos de carreira.